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Construa um ambiente de trabalho propício à participação

As organizações dinâmicas estimulam os seus colaboradores a participar do processo decisório. Isto, no entanto, não significa que eles sempre tenham autoridade para tomar as decisões estratégicas. É preciso diferenciar a delegação da autoridade para tomar decisões e o empowement dos funcionários. O líder de uma organização dinâmica deve saber distinguir os dois conceitos e operar em função deles.
Delegação é o ato de transferir para alguém de dentro da organização a autoridade para tomar decisões. Geralmente é delegada uma tarefa ou atribuição específica por um determinado tempo a uma pessoa ou equipe em particular. Realizada a delegação, o executivo deve apoiar as decisões que resultarem das tarefas delegadas, a não ser a organização corra sérios riscos, caso não possa absorver os equívocos eventuais que venham a ser cometidos.
Empowement é o processo pelo qual os colaboradores participam de todo o processo decisório e o influenciam, mas não se responsabilizam necessariamente pelas decisões estratégicas. O poder dos participantes no processo tem origem no valor que as suas contribuições têm para afetar a escolha final do tomador de decisão e influir nela.
O processo se dilui por todas as direções da organização ¿ lateral, de cima para baixo e de baixo para cima. O executivo pode, por exemplo, comprometer os membros de sua equipe nas decisões que lhe são afetas. Um colaborador pode influir na percepção que tem de terminado problema, ou um outro colaborador pode e deve influenciar na decisão que lhe foi delegada por sua liderança.
Em qualquer equipe pode haver diferentes complexos de interação para a tomada de decisão. A decisão pode ser eu-sozinho, ou eu-com-alguns, o alguns-com-todos ou mesmos o todos-com-todos. Tudo vai depender da legitimidade e do consenso que o decisor ou os decisores têm para a tomada de decisão. A equipe, em cada situação específica, é que legitima a decisão tomada, quer seja apenas do executivo, com a participação de alguns, ou de todos. O ambiente de trabalho democrático não decorre de quem decide, mas de como as decisões são tomadas e, portanto, qual o seu nível de consenso e legitimidade entre os membros da equipe. A natureza da interação entre os participantes da equipe é recíproca. Ninguém consegue genuinamente envolver e comprometer a outrem num processo decisório sem compreender e discutir as suas opiniões e sugestões, assim como ninguém pode sentir-se envolvido e comprometido com o que for decidido, se o tomador de decisões não estiver aberto e receptivo às observações que lhe são feitas pelos demais. A democracia interna em equipes dinâmicas é a participação, por explicação, do debate, do diálogo, da troca autêntica de pontos de vista, da busca do consenso, do encontro de perspectivas.
Wagner Siqueira é administrador e membro do Conselho Consultivo da FGV Empresa Junior.

 



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