PREÇO DA CARNE OSCILA NO FINAL DO VERÃO
Churrasco de domingo pode perder companhia da coxinha de galinha
A chegada de carnes bovinas e suínas vindas de outros Estados, até 10% mais baratas do que as gaúchas, está começando a baratear o churrasco do consumidor. Mas, nos próximos meses, a picanha, o vazio e a costelinha de porco podem perder a companhia da coxinha de galinha na churrasqueira: existe a perspectiva de o preço do frango ter um acréscimo de até 17%.
No caso das aves, o vilão é a estiagem, que reduziu a produção de milho e deve fazer o produto subir até 20% de preço – o grão é o principal insumo que compõe a ração dos frangos (veja texto ao lado). No caso da carne bovina, a queda de preços em alguns açougues se deve à redução das exportações brasileiras com a crise econômica. Como está sobrando gado em Estados como Paraná, Mato Grosso e Rondônia, a carne vem de lá mais barata, e os atacadistas gaúchos estão aproveitando.
– Aqui no Estado, o preço do boi inteiro está até R$ 0,50 por quilo mais caro, o que é uma boa diferença. Em cortes como a costela, chegamos a repassar até 15% de queda para os açougues – conta o presidente do Sindicato dos Distribuidores de Carnes, Marcos Lunardelli.
Na média apurada em pesquisa pela Fundação Getulio Vargas (FGV), a costela teve queda de 1,37% nos últimos 30 dias. Ou seja, a diferença é sentida nas carnes “importadas” de outros Estados – o preço da carne gaúcha subiu 1,78%, na média de todos os cortes, no mês passado segundo a FGV. O atacadista lembra ainda que o pico de venda de carnes é o final de ano, quando as festas favorecem o consumo em churrascos. Agora, com a procura menor, também a carne produzida no Estado deverá cair, projeta Lunardelli: para ele, 2009 será um ano de baixa no preço do produto.
Dois anos de escassez de produção no Rio Grande do Sul também estão influenciando nos preços, opina o presidente do Sindicato da Indústria de Carnes Derivados no Estado do Rio Grande do Sul (Sicadergs), Ronei Lauxen. Segundo ele, os produtores estão tentando manter os preços mais altos, mas o mercado deverá se ajustar, forçado pela chegada da carne vinda de outros Estados.
– Não temos como trabalhar com essa diferença de 10% nos preços. Nenhum frigorífico gaúcho tem margem sequer próxima a isso. As indústrias gaúchas estão ficando sem competitividade – afirma Lauxen.
De acordo com Marcelo “Bolinha” Conceição, dono da Casa de Carnes Bolinha, na Capital, a oferta de produto suíno e bovino de fora do Estado aumentou muito, e a carne gaúcha perde espaço especialmente quando o assunto é costela – o quilo do corte chega a estar R$ 1 mais barato. Porém, com a volta das férias, retornam também os consumidores exigentes, os quais Bolinha tem aos montes.
– Quem entende de churrasco não vai só pelo preço. Sabe que a carne gaúcha é melhor – garante.
ZERO HORA